Um garimpo ilegal em quatro casas centenárias foi embargado, na manhã dessa sexta-feira (14), no centro histórico de Cuiabá/MT, próximo à Praça da Mandioca, pela Secretaria Municipal de Ordem Pública. Segundo denúncias de moradores da região, há mais de dez anos ocorre a exploração ilegal de ouro na região.
“Aqui é um garimpo, ali é um garimpo. Todo mundo sabe. Já foi denunciado em todos os órgãos públicos aqui dentro de Cuiabá. E a pessoa que está tomando isso aí ameaça os vizinhos tudo”, disse Ademar Pereira da Rocha, vizinho das áreas exploradas.
Segundo o Secretário de Ordem Pública da Capital, Leovaldo Emanoel Sales da Silva, o responsável pelo garimpo clandestino foi identificado como Cláudio. Ele alegou para a equipe da prefeitura que na verdade está sendo realizada uma construção de um muro de contenção.
“A vizinhança toda tem reclamado de que durante o período noturno, principalmente de madrugada e nos finais de semana, caminhões saem daqui cheios de terra. Dá a impressão que existe uma exploração garimpeira aqui. Ele está removendo a terra para levar para um determinado local para fazer a extração”, afirmou o secretário.
Claudio não apresentou nenhum alvará ou documento que comprove que é dono das quatro casas onde vinham ocorrendo as escavações ou que uma suposta construção de muro de contenção esteja sendo acompanhada por um profissional. Além disso, entre 2010 e 2022, foram registrados 33 boletins de ocorrência contra ele. A maioria por ameaças contra moradores e agentes municipais.
“De 2010 até hoje, ele soma 33 boletins de ocorrência. A maioria por desobediência, desacato, ameaça, furto, apropriação indébita, constrangimento ilegal. (…) Eu acho que a maioria desses boletins aqui ou são de moradores ou são de agentes públicos”, disse o secretário.
Segundo informações da prefeitura, moradores de rua eram contratados para realizar as escavações. O responsável pelas “obras” se aproveitava da condição de vulnerabilidade dessas pessoas para colocá-las para trabalhar sem nenhum equipamento de proteção individual, sem o acompanhamento de profissionais e sem nenhum direito trabalhista.
Segundo o secretário, o responsável terá dez dias contados a partir de hoje para entregar a documentação que comprove a sua versão dos fatos. Até lá, as quatro casas ficarão embargadas. Caso se constate que as movimentações continuam, tanto o responsável quanto os “funcionários” poderão ser presos.
A Polícia Judiciária Civil, a Polícia Federal e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) serão acionados para dar início às investigações.
Por; Repórter MT

