Mauro Mendes diz que operação da PF tem motivação política e nega irregularidades em acordo com a Oi

Pré-candidato ao Senado afirma que investigação foi motivada por denúncias com “informações falsas”, atribui ação a adversários políticos e diz que colaborará com as apurações da Polícia Federal.

O governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), afirmou nesta sexta-feira (7) que a operação da Polícia Federal que atingiu sua residência tem motivação política e ocorre em meio ao período eleitoral. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele negou ter cometido qualquer irregularidade, criticou adversários políticos e afirmou que irá colaborar com as investigações conduzidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Mendes, os policiais federais estiveram em sua residência apenas para cumprir a determinação de recolhimento de seu passaporte. Conforme explicou, a investigação está relacionada ao acordo firmado entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) e a empresa Oi para encerrar uma disputa judicial envolvendo valores cobrados pelo Estado.

 

De acordo com o governador, a origem do processo remonta a 2009, quando Mato Grosso bloqueou recursos da operadora em razão de uma cobrança tributária. Após anos de tramitação judicial, o Estado teria perdido a ação e precisado devolver os valores. Mendes afirmou que, com atualização monetária, a dívida alcançaria cerca de R$ 580 milhões, mas que um acordo homologado pela Justiça reduziu o pagamento para R$ 308 milhões.

No pronunciamento, Mauro Mendes sustentou que a negociação foi analisada por diversos órgãos de controle e recebeu pareceres favoráveis da Procuradoria-Geral do Estado, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), do Ministério Público de Contas, do Ministério Público Estadual e do Poder Judiciário. Segundo ele, o acordo foi considerado legal e vantajoso para os cofres públicos.

 

O governador também declarou que os fundos de investimento que receberam os recursos não possuem qualquer ligação com ele ou com integrantes de sua família.

Acusações contra adversários

Durante o vídeo, Mauro Mendes afirmou que a investigação teve origem em denúncias apresentadas pela deputada estadual Janaína Riva (MDB) e pelo ex-governador Pedro Taques. Segundo ele, ambos teriam apresentado informações falsas às autoridades, induzindo a abertura da investigação.

Ainda conforme o governador, o relatório produzido pela Polícia Federal reproduziria as alegações constantes na denúncia apresentada por Pedro Taques. A afirmação, no entanto, representa a versão de Mauro Mendes e não foi comentada pela Polícia Federal nem pelos demais envolvidos.

O governador também citou nominalmente os senadores Carlos Fávaro (PSD) e Jaime Campos (União Brasil), além de Janaína Riva e Pedro Taques, afirmando que os adversários políticos já comentavam, nos bastidores e publicamente, sobre a possibilidade de uma operação antes mesmo do cumprimento das medidas judiciais.

 

Para Mendes, a deflagração da investigação a cerca de 60 dias das eleições demonstra uma tentativa de interferir no processo eleitoral e prejudicar sua candidatura ao Senado.

Operação de 2014

No pronunciamento, Mauro Mendes relembrou uma investigação ocorrida em 2014, quando era prefeito de Cuiabá. Segundo ele, a operação causou prejuízos financeiros e danos à imagem de sua família, incluindo restrições de crédito e dificuldades enfrentadas por suas empresas.

O governador afirmou que, três anos depois, a própria Polícia Federal e o Ministério Público reconheceram a inexistência de irregularidades, resultando no arquivamento do caso pela Justiça.

“Não tenho nada a temer”

Ao encerrar o vídeo, Mauro Mendes afirmou que não teme as investigações e disse confiar que os fatos serão esclarecidos.

Segundo ele, a apuração poderá demonstrar que as acusações são improcedentes, assim como teria ocorrido na investigação de 2014.

 

“Pode investigar à vontade. Não tenho nada a temer. Vou colaborar com tudo e espero que a investigação seja rápida para que a verdade apareça”, afirmou.

 

A investigação segue em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. Até o momento, não há manifestação pública da Polícia Federal sobre o conteúdo das declarações do governador. Também não houve posicionamento dos citados por Mauro Mendes acerca das acusações feitas no vídeo.

redação Guarantã News