Família vai à polícia após morte de bebê e alega negligência de hospital em MS
A morte de uma bebê é investigada após a família alegar negligência por parte do HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados). O caso ocorreu entre a noite de ontem (13) e a madrugada desta sexta-feira (14/10) depois do pai da criança pedir que uma cirurgia de cesárea fosse feita na esposa, grávida de 40 semanas.
Cleiton Ramos Machado, 24, esteve na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) e registrou boletim de ocorrência. A situação é tratada como morte a esclarecer pela Polícia Civil. Morador na Aldeia Jaguapiru, Reserva Indígena de Dourados, ele alega que chegou na unidade de saúde por volta de 19h, mas desde as 11h Ivanir Asturio Espíndola, 21, estava no local com fortes dores.
Ao ver o sofrimento da mulher, pediu que fosse realizada a cirurgia já que, segundo ele relata, a paciente não apresentava dilatação para parto normal. Ainda com muitas dores, Ivanir foi encaminhada para o centro cirúrgico do Hospital Universitário por volta de 23h, mas aos 30 minutos de hoje os médicos constataram a morte da criança.
As causas externadas no atestado de óbito são de insuficiência respiratória e aspiração de mecônio. Além do boletim de ocorrência, Cleiton ainda registrou uma denúncia na ouvidoria do Hospital Universitário cobrando explicações sobre o caso.
Segundo caso na família
A morte da bebê no início da madrugada não é a primeira a ocorrer na família. Em julho de 2021, a cunhada da paciente, Janaina Costa Machado, passou pela mesma situação e acabou perdendo a criança.
“No ano passado minha filha internou com dor. Tentaram de qualquer forma induzir ao parto normal, mas a criança era grande, gordinha e aconteceu a mesma coisa”, relata Maria Aparecida Costa Machado, mãe de Janaina e sogra de Ivanir.
Ela alega que nas duas situações as mulheres tiveram gravidez tranquila e todo o pré-natal realizado no posto de saúde da Reserva Indígena.
“Mais uma vez passamos por isso. Era para a bebê estar junto da gente”, relata. Nesta tarde, familiares velaram a criança e depois realizaram o sepultamento dela na Aldeia Jaguapiru.
O outro lado
O Dourados News entrou em contato com a assessoria de imprensa do HU-UFGD para um posicionamento e em nota, a unidade disse que monitorou a paciente durante todo o dia sem que houvesse indicação para a necessidade da realização de cesárea de urgência, “ficando a paciente monitorada integralmente até o momento do nascimento da criança que, infortunadamente, foi a óbito”.
Sobre o boletim de ocorrência, o hospital disse não ter sido notificado.
Confira a nota na íntegra:
A Maternidade do HU-UFGD é referência para mais de 34 municípios de macrorregião de Dourados, absorvendo as demandas de partos de alto risco e risco habitual, uma vez que, não temos outra maternidade SUS para esse perfil de paciente. A paciente em questão deu entrada às 11h25, sendo realizados os exames de monitoramento (cardiotocografias, Ultrassom com dopler) que não indicaram a necessidade de cesárea de urgência, ficando a paciente monitorada integralmente até o momento do nascimento da criança que, infortunadamente, foi a óbito. O HU-UFGD ainda não foi notificado a respeito do registro de Boletim de Ocorrência ou possível abertura de investigação.
(Com informações Dourados News)
